A história do sabão

Maria Carlos Reis
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Apesar do sabão não ser um produto encontrado espontâneamente na Natureza, o seu processo de fabrico é muito antigo e muito simples, sendo, neste sentido, um produto semelhante ao pão, vinho, queijo ou vidro.

O sabão não é um produto encontrado na Natureza, mas pode ser fabricado através de um processo muito simples. Neste sentido, é um produto muito semelhante ao pão, ao vinho, ao queijo, ao vidro, à cerâmica e a outros produtos cujo aparecimento perde-se nos tempos, mas que devem ter a sua origem em fenómenos puramente acidentais. 
 
A produção de sabão é uma das mais antigas actividades conhecidas, já descrita pelo historiador romano Plínio, o Velho (23-79 d.C.). Mas a história começa muito antes.


Embora não existam factos documentados e esta primeira parte da história possa parecer pura especulação, tudo indica que o sabão tenha sido descoberto ainda em tempos pré-históricos. É provável que os primeiros povos que cozinhavam a sua carne no fogo tenham notado, depois de chuvas fortes, o aparecimento de uma espuma à volta dos resíduos do fogo. Também devem ter notado que a água, quando colocada em recipientes já usados para cozinhar carne, e por isso com cinzas (o que seria comum, uma vez que a confecção dos alimentos decorria ao ar livre), transformava-se no mesmo tipo de substância espumante. As mulheres, que se dedicavam provavelmente a estes trabalhos, talvez tivessem também reparado que os recipientes ficavam mais limpos ou pelo menos que as suas mãos ficavam mais limpas do que era habitual, quando lavadas com esta água.


Mas as primeiras evidências registadas na história da produção de um material parecido com o sabão, datam de 2800 a.C.. Em escavações na antiga Babilónia foram encontradas inscrições, junto a cilindros de barro, que revelaram que os habitantes já ferviam gordura de animais juntamente com cinzas. No entanto, tais produtos teriam sido utilizados como pomadas para ferimentos ou para auxiliar a produção de penteados artísticos, uma vez que as suas propriedades de limpeza ainda não tinham sido descobertas. 
 
Já no Egipto, nos bem documentados banhos de Cleópatra, o sabão não tinha lugar. Nestes banhos rituais eram utilizados óleos essenciais, leite de égua e areia fina como agente abrasivo de limpeza. O sabão já era conhecido, mas continuava ligado ao tratamento de feridas e doenças de pele, sendo descrito como uma combinação de óleos animais e vegetais com sais alcalinos.


Na Grécia, o sabão também se encontrava fora dos hábitos de higiene dos seus habitantes. Os seus corpos eram limpos com blocos de barro, areia, pedra pomes e cinzas, sendo de seguida untados com óleo, cuja função seria arrastar todas as impurezas quando raspados com um instrumento de metal específico - o strigil. Para além da sujidade, este "método" permitia remover gordura e células mortas, deixando a pele "limpa".


A prova definitiva e tangível da produção de sabão foi encontrada nos meandros da história de Roma. De acordo com uma antiga lenda romana, o sabão tem a sua origem no Monte Sapo, onde eram realizados sacrifícios de animais em pilhas crematórias. Quando chovia, a água arrastava uma mistura de sebo animal derretido com cinzas, para o barro das margens do Rio Tibre, onde as mulheres lavavam as suas roupas. Elas terão percebido que, ao usar esta mistura de barro, as roupas ficavam muito mais limpas, com um esforço muito menor. Talvez o termo "saponificação" (a reacção química que origina o sabão) terá a sua origem no nome deste monte.

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