
Embora a imagem da cortiça esteja intimamente ligada às rolhas, as utilizações desta matéria prima natural não se esgotam por aqui. Pelo contrário, as características únicas da cortiça potenciam usos alternativos que nem imagina!
A cortiça é um material que tem acompanhado a Humanidade desde tempos imemoriais, tendo já assumido, ao longo desta história comum, as mais diversificadas utilizações. As primeiras referências às suas aplicações remontam a mais de 3000 anos a.C., em regiões como a China e o Egipto, nomeadamente como vedante ou aparelhagem flutuante, seguindo-se aplicações em calçado, isolamento de habitações (por exemplo, no Convento dos Capuchos em Sintra), sendo ainda referenciadas aplicações em utensílios domésticos e mesmo com fins terapêuticos. Depois do início da utilização das rolhas na vedação do vinho engarrafado, com o surgimento do champanhe, e do aparecimento dos primeiros aglomerados simples ou compostos, foram também surgindo diversas aplicações, como em coletes salva-vidas, em isolamentos na indústria da guerra, em filtros de cigarros, como fonte de determinados compostos químicos, em aeronáutica espacial, na indústria dos transportes, no desporto, na construção civil e numa infinidade de outras utilizações.
De uma maneira geral, qualquer pessoa, mesmo sem dominar o que se passa no sector corticeiro, identifica, à partida, duas aplicações da cortiça: as rolhas e os aglomerados para revestimentos. Algumas pessoas com maior conhecimento poderão indicar aplicações mais pormenorizadas, como as rolhas de cortiça natural, as de cortiça aglomerada e as rolhas para champanhe, os revestimentos de piso e de parede, os solados de calçado, as juntas para motores e os isolamentos térmicos em derivados de cortiça. A estes usos, os mais conhecedores adicionarão ainda as rolhas mais recentes do tipo “1+1”, os isolamentos acústicos e vibráticos, as aplicações nos volantes de badmington ou em bolas (críquete, hóquei…), as juntas de dilatação e os “underlays”. Os peritos e especialistas poderão ainda referenciar as aplicações em isolamentos em mísseis, foguetões e submarinos, a obtenção de produtos químicos para fins farmacêuticos, peças de instrumentos de sopro, marroquinaria e muitas outras.
Verifica-se assim, desde já, que existe um grande número de usos alternativos da cortiça, mas este número não pára de crescer, muito devido ao esforço em I&D (projectos de Investigação e Desenvolvimento) efectuado pelos vários intervenientes, empresas, instituições de investigação e universidades. Assim, é possível fazer uma pequena resenha de alguns dos novos usos alternativos para a cortiça, desenvolvidos nos últimos anos, a nível mundial e internacional. Saliente-se que numa pesquisa de patentes a nível mundial relacionadas com a cortiça, para o período 1996-99, o país que mais registos de patentes apresentava era Portugal, seguido do Japão.

Deste modo, como usos alternativos de cortiça, já desenvolvidos ou em desenvolvimento, a maior parte patenteados, mas sem estarem disponíveis no mercado, temos:
1 – Painéis rígidos, peças rígidas para divisórias amovíveis, painéis de portas e mobiliário, com características diferenciadas em relação aos materiais tradicionais, quer técnicas quer estéticas. Estes aglomerados rígidos de cortiça podem ter várias origens, como sejam a densificação irreversível do aglomerado expandido de cortiça ou aglomerados compostos com termoplásticos. Estes produtos permitem uma trabalhabilidade similar à da madeira e podem, inclusive, ser usados como bases de pisos flutuantes.
2 – Uso de granulados e/ou desperdícios da trituração da cortiça para limpeza de peças e/ou estátuas e/ou fachadas expostas à poluição ambiental. Este sistema tem sido aplicada à limpeza dos isoladores eléctricos dos postes de alta tensão e permite a substituição de materiais importados e o regular fornecimento em função das necessidades. As partículas de cortiça são projectadas contra a superfície a limpar, mas a sua constituição não degrada o material que se limpa, sendo, por isso, particularmente indicadas para a limpeza de superfícies sensíveis.