Gaivotas urbanas: problemas e soluções

Luís Gordinho (19-08-2005)
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8. Predição de tendências populacionais (8.1. Requisitos alimentares; 8.2. Serão os aterros sanitários essenciais para as gaivotas urbanas?);

9. A necessidade de continuar a investigar. 
 
Da grande quantidade de informação apresentada, salientamos apenas o seguinte:

1. No subtópico 3.2. o autor menciona a nidificação de gaivotas grandes nos telhados da cidade do Porto. Contactado pela Redacção da Naturlink, Peter Rock informou-nos que se tratou de um casal de gaivota-de-patas-amarelas Larus (cachinnans) michahellis que nidificou com sucesso na zona de Marques em 1995;

2. No sub-tópico 7.1. é referido que a emissão de gravações conspecíficas, nomeadamente de pios de alarme, é relativamente ineficaz para repelir gaivotas em áreas residenciais, sobretudo porque as aves se habituam a elas (ver adiante);

3. No mesmo sub-tópico (7.1.), relativamente à utilização de falcões treinados para afugentar as gaivotas em áreas de nidificação, o autor refere que estas são capazes de atacar, fazer cair ao solo e ferir os falcões. Em entrevista à Naturlink, o autor indicou que os falcões em causa eram híbridos resultantes do cruzamento entre falcão-peregrino (Falco peregrinus) e falcão-sacre (Falco cherrug);

4. O texto é ilustrado por 13 interessantes fotografias das quais destacamos a de uma gaivota-d’asa-escura nidificando no tejadilho de um carro (novo) parado num concorrido parque de estacionamento.


Relativamente à situação em Portugal, acrescente-se que há pelo menos outro registo publicado de nidificação de “gaivotas-grandes” em meio urbano. Esse registo, também da espécie gaivota-de-patas-amarelas, foi efectuado no edifício de um antigo quartel em Viana do Castelo em Julho de 2003 (P. Correia in Elias 2005). Parecem existir ainda algumas observações não publicadas, nomeadamente em Peniche, Lagos e Portimão (P. Rock in litt.).


Quanto a sistemas de afugentamento de gaivotas em meio urbano, o único de que temos conhecimento oficial foi instalado pela Administração do Parque das Nações na parte superior do Pavilhão Atlântico (J. Amorim in litt.). Trata-se de um sistema sonoro de reprodução de gravações conspecíficas (pios de alarme e de ansiedade) destinado a repelir gaivotas não-reprodutoras que utilizavam o edifício para repousar (ver foto).


Na periferia das cidades e fora delas, por exemplo em aeroportos e aterros sanitários, também se recorre frequentemente à falcoaria (P.Vaz Pinto com. pess.).
 
Referências:

Elias, G. (Comp.) (2005). Noticiário Ornitológico, 2003. Anuário Ornitológico 3: 23-53.

Rock, P. (2005). Urban gulls: problems and solutions. British Birds 98 (7): 338-355.

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