Plataforma Sabor Livre

Plataforma Sabor Livre (05-12-2003)
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Foi criada a Plataforma Sabor Livre através da união de diversas ONG, com o objectivo inicial de impedir a construção da grande barragem no Baixo Sabor, que se deve à importância e valor da insubstituível fauna e flora do vale do Sabor.

A Plataforma Sabor Livre é formada pelas associações QUERCUS (Associação Nacional de Conservação da Natureza), LPN (Liga para a Protecção da Natureza), Fapas (Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens), GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente), OLHO VIVO e SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves), que se uniram para salvaguarda do rio Sabor sem barragens.

A Plataforma Sabor Livre opõe-se à construção da barragem do Baixo Sabor porque:

1 – O Baixo Sabor possui um valor ecológico único e insubstituível.

Nesta área ocorre uma flora e vegetação de características ímpares em Portugal, onde se destacam as particulares comunidades associadas aos leitos de cheias. No vale do Sabor, surgem também os mais extensos e bem conservados azinhais e sobreirais de Trás-os-Montes, e a presença de substratos calcários e ultrabásicos permite a ocorrência de um elevado número de endemismos. Esta área apresenta ainda uma elevada diversidade de habitats (20 incluídos na Directiva Habitats, dos quais 3 são considerados de conservação prioritária). A importância desta área é atestada pela qualificação de parte do seu troço na Rede Natura 2000.

Ao longo do rio Sabor ocorre uma importante comunidade de aves rupícolas, donde se destaca a presença de espécies como a águia de Bonelli, a águia-real, o abutre do Egipto e a cegonha-preta, facto que motivou a sua inclusão numa Zona de Protecção Especial (ZPE) e numa IBA (Important Bird Area, BirdLife International).

O Vale do Sabor constitui um importante refúgio e corredor ecológico para uma comunidade faunística muito diversificada, onde se salientam espécies como o lobo, o corço, o gato-bravo, a toupeira-de-água e a lontra, e representa o principal local de desova e alevinagem da comunidade piscícola de uma vasta área (desde o Sabor até à albufeira da Valeira no Douro).

O rio Sabor é um dos últimos rios não represados e é provavelmente aquele que se encontra mais próximo do estado natural em Portugal, constituindo o último reduto de um território outrora fértil em rios e paisagens notáveis. 

 
2 – As grandes barragens apresentam impactos demasiado elevados e irreversíveis

Destacam-se: destruição de ecossistemas de grande valor, extinção e redução substancial de espécies de peixes migradores e residentes, respectivamente, contaminação das reservas de água, retenção de sedimentos e nutrientes, etc.. Têm além disso um tempo de vida útil baixo (em média entre 50 e 70 anos), pelo que devem ser evitadas a todo o custo.

3 – Deve ser urgentemente definido e implementado um plano energético nacional, dando prioridade ao incentivo à eficiência energética e às energias renováveis

Este plano deve identificar as necessidades do país e propor um conjunto abrangente de alternativas de produção e gestão energética a médio prazo, abandonando de vez a opção por obras de carácter pontual e pouco relevantes no contexto nacional (a energia produzida por esta barragem, contribuiria, na melhor das expectativas, apenas com 0,6% da energia consumida em Portugal!). Deve ser dada prioridade total à implantação de políticas de incentivo à eficiência energética (Portugal é um dos países com menor eficiência energética de toda a União Europeia!) e às energias renováveis, excluindo grandes obras hidroeléctricas.

É também necessário actuar ao nível da gestão da procura de energia, abandonando-se a denominada gestão da oferta, uma vez que aquela é reconhecidamente a que melhor se enquadra numa lógica de desenvolvimento sustentável. 


4 – Uma genuína adopção dos princípios subjacentes ao protocolo de Quioto

exige que a diminuição da emissão de CO2 em Portugal seja conseguida através da adopção de um conjunto de medidas custo-eficazes já estudadas ao nível da indústria, transportes e habitação, do incentivo às energias renováveis (nomeadamente solar e eólica), à economia de energia e à expansão da rede eléctrica, evitando-se recorrer à construção de novas grandes barragens.

5 – A importância natural do vale do rio Sabor justifica amplamente a sua classificação como área protegida de interesse nacional e internacional.

A construção da barragem do Baixo Sabor significa a destruição irreversível de culturas prioritárias, como o vale de Felgar – uma das zonas mais férteis de toda a província de Trás-os-Montes – onde se produz anualmente cerca de 60.000 litros de azeite de elevada qualidade, e importantes valores naturais e culturais da região, promovendo o abandono progressivo dos territórios rurais, bem exemplificado na vizinha barragem do Pocinho, cuja povoação se encontra em estado de quase abandono e bastante deteriorada.

Numa conjuntura internacional cada vez mais favorável a um desenvolvimento local e regional integrado, respeitando e valorizando todas as valências do território, as paisagens únicas deste vale, a sua rica fauna e flora, as excelentes condições do rio para a prática de desportos de águas bravas e o património histórico e cultural associado, constituem recursos valiosos para um turismo de contacto com a natureza e para uma aposta inovadora e inteligente no desenvolvimento sustentável.


Plataforma Sabor Livre
Campus Agrário de Vairão
Rua Padre Armando Quintas
4485-661 Vairão
Portugal
plataforma@saborlivre.org
www.saborlivre.org

Contactos:
Carlos Aguiar (Quercus) - 96 503 90 64
Helena Freitas (LPN) - 91 999 26 29
Paulo Santos (Fapas) - 96 706 49 13
Soares da Luz (Olho Vivo) - 91 992 03 74

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