
Num relatório publicado pela Royal Society, um grupo de cientistas liderado pelo prémio Nobel John Sulston reafirma a necessidade de reequilibrar o consumo a favor dos países pobres associado ao controlo do crescimento da população mundial.
A Royal Society pulblicou na passada quinta-feira um relatório intitulado People and the Planet que resume o trabalho de 23 cientistas nos últimos dois anos e onde é destacada a urgência de repensar o consumo e o controlo do crescimento da população mundial.
“Os desafios descritos no presente relatório fornecem a oportunidade para avançar para uma economia sustentável e um mundo melhor" ou então sujeitamo-nos ao "risco de falhas sociais, económicas e ambientais e catástrofes numa escala nunca imaginada”, referem os cientistas.
Segundo a equipa que elaborou o relatório, tanto as economias desenvolvidas como as emergentes devem estabilizar e começar a reduzir o seu consumo de matérias-primas através da aposta numa maior eficiência, redução de resíduos e maior investimento em recursos renováveis.
No que respeita ao controlo do crescimento da população, os cientistas defendem que devem ser financiados e apoiados politicamente os programas voluntários para reduzir as taxas de natalidade, disponibilizar educação a mulheres jovens e melhorar o acesso à contraceção.
A professora Sarah Harper, da Universidade de Oxford, sublinhou que a questão da população caiu nos últimos 10 a 15 anos, mas deve ser reintegrada e acoplada aos desafios ambientais em debate na Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20, a realizar este ano no Rio de Janeiro.
A tendência à urbanização mantém-se intacta. Cerca de 50 por cento da população do mundo, que ultrapassou os 7.000 milhões no ano passado, está a viver em cidades. Espera-se que até ao final deste século a proporção de pessoas que vive em zonas urbanas aumente para os 75%.
Eliya Msiyaphazi Zulu, também autor do relatório e diretor-executivo do Instituto Africano de Políticas de Desenvolvimento referiu que educação sobre planeamento familiar e melhor acesso a contraceção têm estado mais vivos em África. Zulu indicou que as mulheres africanas querem menos filhos e que a principal razão para a elevada taxa de fertilidade que se verifica no Níger, por exemplo, foi o fato de metade das mulheres estarem casadas aos 16 anos.
Os cientistas também sustentam a ideia de que deve ser feita uma revisão à forma como medimos o crescimento económico. Jules Pretty da Universidade de Essex indica que “estamos demasiado habituados à ideia de que o crescimento do PIB é algo bom.”
Para os países desenvolvidos, Sulston refere que a mensagem do relatório resume-se a algo bastante simples: "Não precisamos de consumir tanto para ter uma vida saudável e feliz.”
A equipa insiste que os objetivos estipulados no relatório são realistas. Acreditam que as escolhas de estilo de vida, a vontade humana e as políticas de governo podem desempenhar um papel significativo nos padrões de consumo.
“É necessário um político corajoso e preparado para dizer aos consumidores ocidentais para consumirem menos para os consumidores dos países em desenvolvimento consumirem mais”, referiu Tim Lang, professor de Política Alimentar da City University em Londres. “Mas precisamos dessa coragem agora, urgentemente.”
Lang que não esteve envolvido no estudo saudou-o dizendo que as “provas existem mas estarão os políticos e consumidores dispostos a ouvir e a mudar?”
Poderá aceder a este relatório aqui.
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Fonte: www.reuters.com
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