Japão anuncia abandono progressivo da energia nuclear

Filipa Alves (17-09-2012)
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O governo japonês anunciou que vai ser implementado uma desativação faseada das centrais, que acontecerá à medida que completem 40 anos, e que a potência asiática passará a depender energeticamente, a partir 2040, apenas das renováveis e das importações de óleo, gás natural liquefeito e carvão.

Dezoito meses após o desastre de Fukushima, o pior desastre nuclear desde Chernobyl, o governo japonês anunciou que vai abandonar progressivamente a energia nuclear até 2040, à semelhança do que fizeram a Alemanha e Suíça.

Trata-se de uma alteração de 180º do rumo estabelecido antes do acidente, de acordo com o qual o Japão, então o maior utilizador de energia nuclear, pretendia aumentar o recurso a este tipo de energia de modo a que fornecesse mais de 50% da eletricidade consumida no país.

Com efeito, após uma reunião de ministros foi anunciado que a potência asiática fechará todas as centrais nucleares quando completarem 40 anos sem construir unidades novas para as substituir, pretendendo compensar a quebra na produção de eletricidade com um investimento nas renováveis de forma a que produzam 30% da energia elétrica consumida (a mesma proporção que era assegurada pela energia nuclear antes do acidente de Fukushima), bem como aumentando as importações de gás natural liquefeito, carvão e petróleo.

Nos planos do executivo estão também uma redução dos níveis de consumo de energia (10% relativamente a 2010) a partir de, por exemplo, aumentos na eficiência energética.

Segundo a Reuters, os investimentos nas energias renováveis já disparam em resposta aos incentivos que entraram em vigor a 1 de julho.

A decisão de abandonar a energia nuclear não é, no entanto, pacífica encontrando-se o governo sob grande pressão de lobbies empresariais, não havendo quaisquer garantias de que o plano do governo seja implementado se o seu partido perder as próximas eleições, refere a Reuters.

Por outro lado, mesmo os movimentos contra a energia nuclear manifestaram já insatisfação perante a decisão do primeiro ministro Yoshihiko Noda de voltar a colocar em funcionamento dois dos reatores nucleares, após a confirmação de cumprem todas a normas de segurança, para evitar falhas no fornecimento de eletricidade nos próximos meses.

Fontes: uk.reuters.com e www.bbc.co.uk

*Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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