Estudo: Sequenciado o genoma do tomate

Isabel Palma (04-06-2012)
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A sequenciação do genoma de um dos frutos mais populares, o tomate, foi finalizada e o seu estudo publicado na revista Nature.

O tomate (Solanum lycopersicum) é um dos frutos mais populares do mundo. Em 2010, foram produzidos globalmente 145.8 milhões de toneladas.

Segundo os dirigentes do Tomato Genome Consortium, Graham Seymour da Universidade de Nottingham e Gerard Bishop do Imperial College London, a sequenciação do genoma do tomate vai permitir uma produção mais eficiente deste alimento assim como de outras espécies vegetais da família Solanaceae como as beringelas (Solanum melongena) e os pimentos (Capsicum spp.).

Os cientistas também esperam que esta descoberta ajude na sobrevivência dos tomateiros a pestes e às alterações climáticas e assegure um bom sabor dos tomates. “Está tudo relacionado com produzir um tomate melhor”, explica Allen Van Deynze, geneticista molecular do Centro de Biotecnologia das Sementes da Universidade da Califórnia.

Os cientistas sequenciaram os genomas das variedades Heinz 1706 (Solanum lycopersicum), usado no famoso ketchup e, do seu familiar selvagem mais próximo, o Solanum pimpinellifolium, dos Andes peruanos berço dos ancestrais do tomate. Lançado em 2003, este trabalho possibilitou o conhecimento de cerca de 80% do genoma do tomate e foram identificados mais de 90% dos seus genes.

Giovanni Giuliano, da Agência Nacional para Novas Tecnologias, Energia e Desenvolvimento Económico Sustentável, sediada em Roma, foi um dos investigadores envolvidos neste projeto. Este cientista indicou que uma das descobertas mais interessantes foi que o genoma completo do tomate foi copiado em triplicado em duas ocasiões distintas. O evento mais antigo ocorreu há cerca de 130 milhões de anos e foi primeiro identificado em uvas (Vitis vinifera) mas o que despertou o interesse de Giuliano foi o segundo evento que ocorreu há 60 milhões de anos e que teve maiores implicações para o desenvolvimento da fruta. 

“Vários dos genes ‘nascidos’ na segunda triplicação permaneceram no genoma por milhões de anos. Então, há relativamente pouco tempo, mudaram de função e isso trouxe a aparência do fruto carnudo tal como o conhecemos hoje.”

De acordo Johnathan Napier, cientista da área da biotecnologia de plantas do Rothamsted Research em Harpenden, o próximo passo “é ligar a sequência do genoma a características que são úteis e importantes, especialmente para a segurança alimentar e saúde humana.”

Este artigo foi publicado na revista Nature. Poderá aceder ao resumo do artigo aqui.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Fonte: www.nature.com

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