Estudo: O ouvido interno pode estar por detrás do especial sentido de orientação espacial dos pombos

Filipa Alves (27-04-2012)
Imprimir
Texto A A A

Os resultados de uma investigação realizada por cientistas americanos, que revelou atividade como reação à variação do campo magnético em 53 neurónios associados ao funcionamento do ouvido interno suporta a hipótese de que este está na base da capacidade destas aves se orientarem recorrendo à interpretação do campo magnético terrestre.

Uma dupla de cientistas americanos publicou recentemente na revista Science um estudo que vem contribuir de forma importante para desvendar o mecanismo por detrás da extraordinária capacidade de orientação espacial dos pombos, uma questão que tem sido muito debatida.

O novo trabalho de investigação vem reforçar uma teoria que surgiu no ano passado algo diferente da hipótese amplamente aceite que identificava o bico destas aves como a “chave” para a resolução do mistério.

Com efeito, a deteção de partículas de magnetite, uma forma de ferro que é o mineral que ocorre naturalmente mais magnético, no bico dos pombos levou a que, durante muito tempo, se identificasse esta estrutura como a responsável pelo sentido de orientação dos pombos.

No entanto, no início deste mês, um estudo revelou que, na realidade, as partículas alojadas no bico dos pombos não são realmente magnetite. Por outro lado, foram agora publicadas na revista Science evidências que apontam num direção diferente, resultados novos da investigação levada a cabo por David Dickman que deu os primeiros “frutos” no ano passado.

O estudo inicial levado a cabo por este cientista do Baylor College of Medicine (Houston, EUA), revelou uma variação significativa da atividade de 4 áreas do cérebro dos pombos quando estes animais foram expostos a campos magnéticos.

Visto que estas áreas estão associadas ao funcionamento do ouvido interno, esta estrutura tornou-se o “principal suspeito” dos dotes de orientação do pombo.

Agora, a continuação da investigação de David Dickman vem reforçar esta teoria.

Em conjunto com o colega Le-Qing Wu, o “pai” da “teoria do ouvido interno”, realizou experiências em laboratório que passaram por colocar indivíduos de Pombo-comum (Columba livia) numa sala escura situada no centro de espirais magnéticas formando um cubo.

Fazendo variar a direção e intensidade dos cambos através da rotação do cubo e analisando a atividade de 329 neurónios nas áreas previamente identificadas do cérebro, foi possível isolar 53 que responderam a essas variações de forma significativa, o que indica que podem estar na base da capacidade de identificar onde o animal se encontra a partir da interpretação da direção, intensidade e polaridade do campo magnético terrestre.

Embora não coloquem completamente de parte a hipótese de as 39 zonas cerebrais receberem também estímulos de bico ou retina, os autores do artigo consideram mais provável que o ouvido interno seja a chave da capacidade de orientação dos pombos.

Por outro lado, embora os resultados não sejam esclarecedores relativamente ao “como” acontece a interpretação do campo geomagnético, os novos resultados indicam que caminho a investigação sobre o tema deve seguir.

Aceda ao artigo científico ou ao seu resumo gratuito disponibilizado gratuitamente aqui 

Fontes: news.sciencemag.org e www.sciencemag.org

*Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Leituras Adicionais

Estudo: Os pombos também compreendem matemática simples

Espanha: Estudo confirma que os pombos urbanos podem constituir um problema de Saúde Pública

A melhor bússola do Mundo

Sua Excelência, a Bússola

Promoções Naturlink e Clube Naturlink

Documentos Recomendados

Electricity and Magnetism

O GPS como ferramenta de apoio à Análise da Informação Espacial

Comentários

Newsletter