As abelhas também têm personalidade

Ana Ganhão (14-03-2012)
Imprimir
Texto A A A

Um estudo realizado por uma equipa internacional de investigadores sugere que as emoções não são limitadas aos seres humanos e outros vertebrados. Algumas abelhas são também mais propensas que outras na procura de aventuras. Os cérebros destas abelhas, que se sentem mais atraídas para a novidade, apresentam diferentes padrões de atividade genética nas vias moleculares associadas com a procura de emoções, nos seres humanos.

Os resultados, publicados na revista Science, oferecem uma nova visão da vida no interior das colmeias, que no passado foi descrita como uma colónia de trabalhadores, altamente regulamentada, em que cada abelha tem uma função específica (uma enfermeira, ou coletora, por exemplo) para servir a sua rainha.

Agora, parece que as abelhas individuais, na realidade, diferem no seu desejo ou vontade de realizar determinadas tarefas, diz o professor de Entomologia e diretor do Instituto de Biologia Genómica, da Universidade de Illinois (EUA), Gene Robinson, que liderou o estudo. Segundo o especialista, essas diferenças podem ser em parte devido à variabilidade nas personalidades das abelhas.

Robinson e seus colaboradores estudaram dois comportamentos na procura de novidade em abelhas melíferas: a exploração de sítios de nidificação e alimentação. Quando uma colónia de abelhas deixando para trás as suas casas, a colmeia divide-se e o enxame deve encontrar um novo lugar. Num momento de crise, algumas abelhas intrépidas (menos de 5% do enxame) dedicam-se na caça de uma colmeia. Estas abelhas, chamadas de exploradoras de ninhos, são, em média, 3.4 vezes mais propensas a converterem-se, também, em exploradoras de alimentos.

Os investigadores queriam determinar a base molecular destas diferenças no comportamento das abelhas melíferas, e para isso utilizaram análises de microarray para encontrar diferenças na atividade de milhares de genes nos cérebros das abelhas exploradoras. "Esperávamos encontrar algumas, mas a magnitude das diferenças foi surpreendente, considerando que tanto as exploradoras, como as não exploradoras, são também recoletoras”, diz Robinson.

Entre os muitos genes expressados diferencialmente encontram-se as catecolaminas, o glutamato, e a sinalização do ácido gama-aminobutírico (GABA). Os investigadores se concentraram sobre estes, porque são os que estão envolvidos na regulação da procura de novidades, e a resposta para a recompensa, nos vertebrados.

Para testar se as mudanças de sinalização no cérebro causam a procura de novidade, os investigadores os submeteram os grupos de abelhas a tratamentos para aumentar ou inibir estas substâncias químicas no cérebro. Dois tratamentos (com glutamato e octopamina), aumentaram o desejo de exploração em abelhas que não tinha sido explorado antes. Para além disso, o bloqueio da sinalização da dopamina diminuiu o comportamento de exploração.

Os resultados também sugerem que os insectos, os seres humanos e outros animais, utilizam o mesmo sistema genético na evolução do comportamento. Os genes que codificam certas vias moleculares, podem desempenhar um papel nos mesmos tipos de comportamentos, mas cada espécie se adapta, posteriormente, de uma distinta.

Pode consultar aqui o artigo desta notícia.

Fonte: www.elmundo.es

Leituras adicionais:

Estudo relaciona condição do sistema imunitário das abelhas com diversidade da dieta

Cientistas usam microchips em abelhas para investigar a depopulação das colmeias

Promoções Naturlink e Clube Naturlink

Documentos relacionados:

Geleia Real: alimento de rainhas

État de nos Connoissances sur les Abeilles au Commencement du XIXe Siècle, avec l'indication des moyens en grand de multiplier les abeilles en France

Comentários

Newsletter