Histórias e Pedras

Ana Pestana Bastos
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Geralmente, o diamante estava associado a aspectos positivos, como poder, protecção, força, fortuna, poderes medicinais, etc. "Em 1532, foi prescrito ao então enfermo Papa Clemente VII um tratamento à base de pó de diamante, ao qual o Santo Padre resistiu até à décima quarta colherada, tendo depois falecido". (Rui Galopim de Carvalho, com. pess.) 
 
O diamante foi também visto como veneno mortal. Diz a lenda que o Imperador Frederick II (1194-1250) morreu devido a uma dose fatal de pó de diamante e que o Sultão Turco Bajazet (1447-1513) foi envenenado pelo seu filho, que misturou diamante pulverizado na sua comida (Bruton, 1978).

É possível que a crença de que os diamantes eram venenosos fosse mantida para impedir que os mineiros os roubassem utilizando a técnica de os engolir, recuperando-os mais tarde nas fezes.

Um diamante que não fornecia bom augúrio a quem o usasse é o famoso diamante azul, Hope. Este diamante é conhecido pela sua rara cor azul escuro, tipo azul safira, pelas suas grandes dimensões e por trazer má sorte a quem o possui, sendo mesmo intitulado “the diamond of the disaster”. Ao longo da sua história foi relacionado com o infortúnio dos seus diversos proprietários ou com o azar de quem simplesmente lhe tocou. Este diamante foi inicialmente adquirido por Jean Baptiste Tavernier, no séc. XVII e vendido ao rei de França Louis XIV. O Hope adquiriu o seu nome quando Henry Philip Hope, um membro da família de banqueiros Henry & Co., o comprou. Foi também conhecido por “Tavernier blue” e “The blue diamond of the crown”. Tendo sido lapidado mais do que uma vez, tem actualmente um talhe misto. Em 1958 foi doado ao Smithsonian Institution, onde permanece desde então.


(1) Safira astérica – safira talhada em cabuchão, que exibe um efeito óptico em forma de estrela.

 

Bibliografia

Bari H. e Sautter V. (2001). Diamants, Au coeur de la Terre, au coeur des Étiles, au coeur du Pouvoir - Guia da Exposição. Muséum National d´Histoire Naturelle de Paris, Paris.

Bruton E. (1978). Diamond. 2nd edition, Chilton Book Company, Pennsylvania.

Hughes R. (1990). Corundum. Butterworth – Heinemann, London.

Kunz G. F. (1971). The Curious Lore of Precious Stones. Dover Publications, Inc., New York.

Minerais e Pedras Preciosas, Guia Prático Para os Descobrir e Coleccionar. 1993, RBA Editores, Lisboa.

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