A rolha, os montados e a fauna

Nuno Onofre, Estação Florestal Nacional
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Para isso, para além de outro tipo de acções, há que informar sobre a importância ecológica e o valor natural dos ecossistemas de sobro e sobre os riscos de degradação e desaparecimento destes, se persistir o aumento da taxa de substituição da rolha de cortiça por vedantes de plástico e afins. E uma coisa nos vale: os ingleses e outros povos da Europa do Norte e Central estão bem mais sensibilizados para estas questões da qualidade ambiental e da conservação da natureza do que nós. Logo, há que dar lustro às nossas pratas.

Não temos grandes extensões de floresta autóctone no país. Há umas manchas de carvalhais caducifólios no Centro e Norte, mas regra geral são povoamentos jovens. O resto, onde domina arvoredo adulto e existe uma estrutura de bosque complexa, é escasso, vestigial e de reduzida dimensão. Sobram as áreas de azinheira e sobreiro.

Grosso modo, mais de 400 e de 700 milhares de hectares, respectivamente. É uma área muito grande, apesar de tudo. Sabe-se que dos povoamentos em estrutura de bosque - aquilo que poderíamos chamar de verdadeiros azinhais e sobreirais -, pouco resta e que apenas se conservaram por estarem nos barrancos dos rios e das serras. Também, como que abandonadas nas serras, existem ainda umas manchas razoáveis de matagal, arborizado aqui e ali com uns sobreiros e azinheiras dispersos. E sobram, finalmente os montados, essas grandes áreas de sobreiro e azinheira artificialmente criados pelo agricultor e que de bosque apenas representam uma muito pálida imagem sua, pois em regra o arvoredo resume-se a uma única espécie, entre algumas que antes compunham este andar de vegetação. E isto sem falar das podas e arreias, que contribuem ainda mais para a esta desfiguração.

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