Fotografia de Paisagem e Natureza I. Exposição

João Quintela
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Spot meter / Variação Sistema de Zonas - John Shaw desenvolveu um sistema a partir do Sistema de Zonas que, a meu ver, é um dos melhores métodos de exposição. É o sistema que uso. Aconselho vivamente a leitura do excelente "John Shaw's Landscape Photography" para desenvolver mais este tema. O autor defende que a partir da análise de qualquer elemento de uma imagem (por principio o elemento "principal") pode-se basear toda a exposição. Assim, não temos que saber onde "cai" determinada zona; apenas temos que saber (o que é fácil) como queremos representar essa zona...como tom médio; mais escuro que tom médio (e quanto mais escura) ou mais claro que o tom médio.

Vamos apresentar um exemplo: Na minha imagem Dunas, fiz uma leitura Spot da areia que me deu determinado valor de exposição. A partir dai, e visto que eu queria a areia mais escura que cinzento médio, compensei com - 2/3 de exposição. Para todos os efeitos eu não precisei de calcular/imaginar em que zona estaria a areia; apenas sabia que queria que ela fosse representada como "ligeiramente mais escuro que o tom médio"...Visto que a luz foi medida com um filtro exposto, TTL, não tive que me preocupar com factores de filtros e outros pormenores sobre exposição adicional.

A grande vantagem deste processo é o facto de podermos "prever" como cada elemento vai sair na imagem final.

 

Calibração de fotómetros

Um dos aspectos muitas vezes negligenciado na fotografia é o facto de assumirmos que o nosso fotómetro incorporado na máquina está correcto! Não tem nada a ver com defeitos de fabrico (se bem que numa cadeia de montagem os erros podem acontecer, como é óbvio). Depende de muitos factores incluindo o nosso gosto pessoal. De qualquer modo, recomendo um simples teste com todos os diferentes filmes que usa. Escolha um objecto que considere cinzento médio (ou verde, azul, roxo, etc)e use uma qualquer fonte de luz que seja suave e constante. Monte a maquina no tripé e componha de modo a medir a luz SÓ do objecto (independentemente do modo e método de exposição). Seleccione a sensibilidade recomendada pelo filme em uso (para o caso vamos supor que usamos Velvia 50). Manipule o fotómetro até conseguir a exposição correcta e fotografe. A seguir mude a sensibilidade do filme para o ponto anterior (ISO 40) e manipule o fotómetro para conseguir uma exposição correcta e fotografe; repita para ISO 32; ISO 25 e depois para ISO 60 , 80 e 100. Tire notas do que fez, ou melhor ainda inclua um papelinho na fotografia com a sensibilidade usada. Depois de revelar o filme compare as imagens. Vai acabar com uma série de sete imagens desde 1 Stop abaixo do recomendado até 1 stop a mais. Simplesmente escolha a imagem que mais gosta e use sempre esse valor ISO para esse filme. Se tiver mais que uma máquina compare medições para as fazer coincidir. Eu fiz este teste com três corpos diferentes e para ter 3 slides exactamente iguais (em termos de exposição) tenho que usar o Velvia no corpo A a ISO 40; no corpo B a 50 e no corpo C a 80.


Modos de exposição

Independentemente do nosso método de ler a luz, as maquinas fotográficas modernas apresentam vários métodos de a luz (utilizando o seu próprio fotómetro).

Leitura matricial - Este é o nome dado pela Nikon ao processo de ler toda a área de exposição dividida em vários segmentos. A Minolta chama-lhe "favos de mel": a Canon "Multi Evolutive"; a Pentax "Multi segmentos". Para o caso interessa saber que todos os sistemas funcionam pelo mesmo princípio: ler várias zonas da imagem a fazer uma leitura média (como sempre a leitura média...).

Digamos que este é o modo mais parecido com um modo automático, visto que os fabricantes assumem que em 99% dos casos, usando película negativa, este método funciona na perfeição. De qualquer modo, é sempre o computador da máquina que escolhe a exposição, e por ser uma área tão grande é-nos difícil perceber porquê.

Este método funciona bem em cenas de tons médios ou em cenas com iguais partes de luz/sombra.

Medição central - Neste processo a maquina lê toda a área mas com predominância na área central, normalmente na proporção de 75/25 (se bem que hoje em dia existam maquinas que alteram este valor ao gosto do fotografo). Todas as máquinas "antigas" utilizam este método. Aqui os fabricantes assumem que na maior parte das situações o tema a ser fotografado está exactamente ao meio do visor (o pior é que nós no geral não queremos isso; pois não?) e portanto este método realça o centro se bem que tenha em conta o "resto".

É mais fácil de controlar a exposição. Quando estou a fotografar aves, ou qualquer outro motivo que não me dê grande tempo para pensar na exposição, uso este sistema (tendo o cuidado de descentrar o motivo - quando é caso disso...para isso uso o travão de exposição).

Medição pontual - Este é o meu método de eleição quando fotografo "sem pressas", por exemplo paisagens, ou em cenas díficeis de medir a luz. É de longe o método mais preciso (desde que saibamos interpretar o que o fotómetro nos quer dizer..."isto vai ser cinzento médio"...lembram-se?

Visto que não tenho que imaginar/perceber/descobrir em que zona está o ponto a ser medido mas apenas decidir se o quero mais claro ou escuro que cinzento médio, torna-se bastante fácil de usar... É obvio que é preciso pensar no que vai acontecer ao "resto da cena"...

Cada um de nós, fotógrafos, devemos eleger o melhor método de trabalhar (de preferência sem ficar escravo do computador da máquina); aquele que melhor se adapta ás nossas exigências e aos nossos gostos. O que interessa é o resultado final e o modo como lá chegamos só a nós nos diz respeito. Por outro lado, e para o mesmo motivo, 20 fotógrafos terão a sua própria opinião sobre a "exposição correcta" e que, necessariamente podem não coincidir...o que torna a fotografia saudável; pessoal e tão especial...

Modos de medição de máquinas

Na sua constante procura de nos facilitar a vida, os fabricantes de máquinas fotográficas, resolveram introduzir nos diversos modelos, diferentes métodos de expor a película.

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